Como começou o Racal Clube, a sua história.

Era uma vez (é assim que começam todas as histórias…) um grupo de meninos que, por volta de 1964, começaram a imaginar um Clube que se dedicasse ao desporto, concretamente ao desporto automóvel…

Saiba mais na página da Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Racal_Clube

Vai daí, o tal grupo de meninos (tinham eles entre 14 e 16 anos – bons tempos! -) imaginam uma pistazinha de automóveis eléctrica para brincarem todos na primeira casinha que arranjaram (ficava a casinha ali para os lados da entrada principal de Silves, ainda a ponte era de madeira a substituir a “romana” que já não dava passagem aos carros – hoje a de madeira desapareceu e temos uma que é um luxo, e a “romana” lá está graças aos tais Deuses, e de carros nada, e ainda bem…).

Os tais meninos, que tinham já idade para ter juízo, e não se meterem em “cavalarias altas”, pensaram: “E se a gente formasse um Clube, e lhe déssemos um nome? (isto dizia o menino mais crescido e aquele que tinha a bola, e por isso jogava sempre a avançado centro e se chamava João Matoso…).

 

Os outros todos (que eram mais 17) disseram: “Vamos a isso!”
racal clube cidade de Lisboa casas
E vai daí (reza a história…) os 18 meninos formaram um Clube a que deram o nome de Racing Clube do Algarve, estava-se então no ano da graça de 1969… Clube com estatutos muito “caseiros”, muito para o grupo dos 18, muito quase tipo sociedade secreta (claro que não mafiosa (entenda-se!), e com ideias grandes e de futuro ainda maior. E o menino Joãozinho (aquele que tinha a bola e por isso jogava sempre a avançado centro) disse: “Vamos legalizar o Clube!” E os outros 17 disseram em uníssono, os olhos marejados e com fervor das coisas novas e possíveis: “Vamos!” e foram…

Só que (nessa altura defendia-se a língua portuguesa – e agora parece que também lá vamos…) não era possível legalizar um Clube com um nome como Racing Club do Algarve (veja-se: logo 3 palavras estrangeiras Racing, Club e Algarve – que o desgraçado Algarve já começava nessa altura a ser outra vez o invadido por “infiéis”…). Daí que com 3 nomes se tivesse feito o agora chamado RACAL CLUBE (com E e tudo para não haver confusões…), e é muito boa altura para desfazer o equívoco de se julgar que RACAL significava Real Automóvel Clube do Algarve (isto sem desprimor para os monárquicos, até porque no Racal sempre tem havido espaço para todas as ideologias, desde que fiquem à porta…).

De modo que em 1970, já muito a sério, no “Diário do Governo” (era assim que se chamava o “Diário da República” lembram-se?) vieram os Estatutos do Racal Clube!

Portanto, agora havia de fiar mais fino, o que se começou a fazer, até porque os tais 18 meninos já iam tendo barba, já pensavam nas “sortes”, já “olhavam para a sombra” e já iam para Lisboa estudar na Faculdade…

Então, se era a sério, a sério se passou a pensar: daí que tivesse nascido a Volta ao Algarve, grande Mãe que seria um Pai também muito grande chamado Rallye do Algarve e que deram à luz o menino lindo e esperançoso chamado Racal Clube. Amparado nos primeiros passos pelos seus extremosos “Pais”, e tendo como Padrinho muito poderoso chamado Turismo (e o afilhado nunca o abandonou!), o recém-nascido cresceu ledo e saudável, irrequieto e traquinas, fazendo umas e outras, para grande desespero de muitos e grande encanto babado dos Progenitores. Desespero de muitos, porque era incómodo haver um “puto” e “armar ao pingarelho”; encanto babado dos Progenitores porque assim é que devem ser os “putos”…
casa de lisboa
Em 1974 (a 26 de Abril) houve muito boa gente, com certeza que com muito boas intenções, a dizer que o Racal Clube era um Clube de elites. Impróprio, portanto, para consumo…

Impávidos e serenos os Directores quedavam-se à espera de novos horizontes, porque (pensavam) os contra-elitismo naturalmente teriam outras ideias…

No dia 27 de desse glorioso Abril (meteorologicamente falando) não houve qualquer assalto às instalações que, nessa altura, eram já quatro.

E como não houve assalto, a Direcção do Racal Clube manteve-se impávida e serena…

Passaram-se dois anos (estamos, portanto em 1976), e foi nessa altura que o Racal Clube deu um salto de qualidade e de quantidade tão grande que começou a incomodar as chamadas “forças vivas” e o “puto”, que tinha então 6 anitos, já começava a dar que falar e a fazer, por exemplo, manifestações em todo o Algarve, todos os dias, a horas certas (sem atraso!) e que iam do cinema ao “ballet”, do teatro aos Jogos Florais, da Fotografia ao “Pai” Rallye (agora quase europeu…), das Serenatas de Coimbra (de boa memória!), aos fantásticos e inesquecíveis Festivais do Castelo de Silves (onde não havia cerveja nem vinho do Porto, nem frango assado, nem caracóis, nem, nem, nem…) e onde havia magia, folclore (verídico!), concertos, ginástica e tanto mais.

Foi assim que em Setembro de 1976 põe em funcionamento o SPAL – Secretariado para a Animação do Algarve – que durante 4 meses mostrou como é possível apresentar espectáculos multifacetados por toda a Região. Termina (por recomendação da D.G.D.) em 31 de Dezembro com um espectáculo de fogo de artifício na baia de Albufeira.

Lá foi andando o Racal Clube até 1980, quando lhe foi concedido (por unanimidade das Câmaras Municipais consultadas e que tinham que dar os seus pareceres) o estatuto de Utilidade Pública (nesse tempo, 1980, era muito difícil…).

Em 1980 (ano em que adquire o estatuto de Colectividade de Utilidade Pública, por despacho do Primeiro Ministro de então, Francisco Sá Carneiro – “Diário da República” de 7 de Julho) organiza o 1º Congresso Nacional sobre o Algarve, na Aldeia das Açoteias.

Foi o ano de glória desta Colectividade que já tinha 10 anitos, e havia “sobrevivido” ao tal chamado “elitismo”…

Estamos em 1989, 8 séculos depois da tomada de Silves, e o Racal Clube está de alma e coração com a Comissão que os comemora, com a Câmara que sempre tem apoiado e que sempre tem, também, apoiado o Racal.

Vamos fazer em 1990 vinte anos de existência que valeu a pena “malgré tout”.

Desses vinte anos, saldo, saldo, vamos a contas:

1 – os tais “putos” estão vinte anos mais velhos (e já dois morreram – e aqui se lhes presta a homenagem);

2 – as horas de sono perdidas são para desconto dos pecados e para a glórias do Clube (já que ninguém – que se saiba – ficou com um tostão que não fosse seu, nem nunca recebeu um centavo como Director)

3 – o Racal tem hoje (1989 – os tais 8 séculos de Silves, que é onde fica a sua Sede – ) o maior Salão de Arte Fotográfica do mundo, uns Jogos Florais do Algarve prestigiados por todo o lado, um Festival de Vídeo que não é brincadeira nenhuma, um Rallye no Campeonato da Europa, 5 instalações (em vez de 4), uma Rádio local aprovada legalmente, que lhe dá uma força e um respeito que todos têm que reconhecer, e um Congresso do Algarve que é um caso muito sério, uma vez que a ele vêm alguns dos maiores conhecedores dos problemas da região.

 

Um concerto em Silves no Racal Clube:

 

Feitas as contas, valeu a pena! Até porque o Racal Clube, modesto e calmo, irrequieto e “incómodo”, cumpridor e reconhecido pelas Entidades Oficiais, respeitador integral de contratos feitos com o Fundo Social Europeu, e tantas coisas mais que se podiam dizer, está na primeira linha como defensor dos interesses dos seus vectores principais que são o artigo 1º dos seus Estatutos: Cultura, Turismo e Desporto.

Isto dar-lhe-á, com certeza, a continuação do prestígio que sempre tem tido! E a autoridade de dizer não quando não…

Foram 30 anos entre rallyes, salões de fotografia, jogos florais, festivais de vídeo, congressos e inúmeras actividades do mais variado cariz dos concertos ao ballet, da ginástica à magia, do teatro ao cinema até às conferências proferidas no auditório da sede da propriedade do Racal Clube ou nos plenários dos Congressos por individualidades como por exemplo, Cavaco Silva, Medina Carreira, Lourdes Pintassilgo, João Salgueiro, Roy Jenkins…

E até este ano de 2002 e desde 1980, o Racal Clube organizou já 11 Congressos do Algarve, o maior encontro que no género se realiza no País e que reúne alguns dos maiores especialistas que se dedicam ao estudo do Algarve nas mais variadas vertentes.

E não há dúvida que o tempo passa inexorável. Estivemos a reler a nossa “história” e já temos que falar do que foi feito em 2003. Actividades “clássicas” como os Jogos Florais e Festival Internacional de Vídeo do Algarve passam para mãos mais jovens que trouxeram novas vertentes e orientações. Dois novíssimos departamentos estão a funcionar em pleno: os desportos radicais para menos “cool” e o APARTE, que tem oferecido as mais variadas actividades no auditório do Racal Clube.

 

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